A incivilidade da direita

por Sérgio Trindade foi publicado em 24.mar.25

Um dos grandes embates de parte direita tupiniquim (que os identitários não me leiam) é luta pela anistia daqueles que estiveram envolvidos no 8 de janeiro de 2023, quando uma horda de desocupados, militantes e saudosistas da ditadura, concentrados em Brasília, dirigiram-se à Praça dos Três Poderes e invadiram as sedes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.

Não entro muito no mérito da correção ou da justiça do pleito.

Quem esteve envolvido no movimento e foi identificado fazendo balbúrdia deve, sim, ser punido. Na dose certa do delito cometido, e ponto final.

Semana passada Débora Rodrigues dos Santos começou a ser julgada e o ministro Alexandre de Moraes voltou pela condenação, por um conjunto de faltas: abolição violenta do Estado democrático de Direito, tentativa golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada.

A pena proposta pelo relator foi de 14 anos, sendo 12 anos e seis meses de reclusão, um ano e seis meses de detenção e mais cem dias de multa. Flávio Dino, o segundo a votar, seguiu o voto de Moraes.

Logo se espalhou que a jovem senhora foi condenada por Moraes por ter pichado uma estátua com batom em frente ao STF, no entanto Débora respondia por cinco crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito (art. 359-L do CP); tentativa de golpe de Estado (art. 359-M); dano qualificado com violência (art. 163, parágrafo único, I, III e IV); associação criminosa armada (art. 288, parágrafo único); e deterioração de patrimônio tombado (art. 62, I da lei 9.605/98).

Na sequência, a direita que luta pela anistia começou a espalhar imagens com o rosto da fotógrafa Gabriela Biló que registrou o vandalismo, acusando-a de dedo-duro, como Gabriela fosse culpada por alguma coisa, e não estivesse apenas fazendo o seu trabalho de fotografar eventos para os quais está destacada para fazer a cobertura.

Débora Rodrigues vandalizou a estátua A Justiça, em frente ao STF, por vontade própria. Gabriela Biló, competente fotógrafa fez o seu dever, registrando o fato. Em momento algum ela obrigou Débora a vandalizar a estátua, tampouco definiu que a pena deveria ser de 14 anos de prisão. A direita tresloucada, porém, está pondo uma pessoa inocente em risco por ter registrado crime o vandalismo.

Sabe quando um debate acerca da anistia para os envolvidos no 08/01 pode ser levado verdadeiramente a sério?

Quando a direita passar a assumir que crimes foram cometidos naquele dia e têm de ser punidos e a esquerda assumir que pedir individualização de condutas não é coisa de extremista, mas exigência do Direito Penal.

Como isso está longe de ocorrer, lunáticos de ambos os lados seguirão dando as cartas no país e os beneficiados pela insanidade liderarão as pesquisas para saber quem manterá o Brasil nessa roda-viva.

 

filtre por tags
posts relacionados
Logo do blog 'a história em detalhes'
por Sérgio Trindade
logo da agencia web escolar