Vivemos esquecimento
O Procurador Geral da República Paulo Gonet arquivou as denúncias contra a primeira dama Janja e, para justificar a decisão, deu Darcy Vargas, mulher do chefe do Estado Novo e ditador Getúlio Vargas, como exemplo de “papel social” das primeiras-damas, dizendo que Darcy Vargas foi a criadora da Legião Brasileira de Assistência (LBA), insinuando que Janja faz o mesmo “papel social”.
Gonet faltou às aulas de História no ensino médio.
Ora, senhor Procurador, Darcy Vargas “fundou” a LBA em 1942. O senhor sabe o que fazia o Congresso Nacional em 1942? Certamente não questionava os gastos da primeira. Sabe por quê, senhor Procurador? Sabe por que o Congresso Nacional não questionou o “papel social” da Darcy Vargas?
Porque estava fechado por determinação do marido dela. Desde 1937. E assim passou por quase uma década.
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Ainda vivi (e espero por uns bons anos) para ver José Sarney posar de estadista, no ano que a tal Nova República completou 40 anos de vida, no último dia 15.
José Sarney é um oligarca familiar da pior espécie. Ele não governou nada. Nos seus tristes cinco anos de mandato, quando esteve no Palácio do Planalto, o Brasil enfrentou recessão braba, a hiperinflação chegou a inacreditáveis 80% ao mês, a corrupção era desenfreada, tanto que surgiram Fernando Collor com o discurso anticorrupção ao estilo Robespierre, e Lula, líder sindical urdido por Golbery do Couto e Silva, seguindo sua luta contra as “zelite”.
Ainda pagamos o preço e esse oligarca atrasado ainda esta aí sendo ouvido como político respeitável.
O Brasil seguirá debatendo democracia plena recorrendo a Sarney, que passou 21 anos mamando na tetas da ditadura, que comprou 5 anos de mandato distribuindo concessões de rádios e TVs e que recriou o sistema de capitanias heteditárias no Maranhão?
É este o tipo de líder democrático que cultuamos?