Carta a Ugo Vernomentti
Caro Ugo Vernomentti, li a carta que você escreveu para Alex Medeiros e, confesso, não me surpreendi, afinal você quando escreve cartas parece estar jogando uma bomba do anarquista de Conrad, mas em versão pastelão: sem pólvora, só recheada de presunto e queijo. Aliás, mesmo estando em polo político diferente do seu – você é anarquista e eu sou ultraconservador –, sou obrigado a concordar: a política externa de Lula é exatamente isso: uma bomba de presunto, queijo e muita maionese. Explode? Não. Mas engorda, provoca azia e, de repente, quando menos se espera, aparece Evo Morales ou Nicolas Maduro comendo o pedaço maior.
O Itamaraty de Lula, Ugo, parece roteiro escrito às pressas por Woody Allen em parceria com Cervantes. Lula, de um lado, cavalgando um pangaré de velório, jurando que é um corcel diplomático; de outro, Celso Amorim de lança em punho, acreditando ser Sancho Pança, mas com mais barriga e menos noção de que está num romance. A diferença é que, em vez de lutar contra moinhos, eles brigam por cadeiras em organismos internacionais que ninguém leva a sério, tipo Conselho Global de Aperto de Mão Sul-Sul.
O teatro é sempre o mesmo: Lula aparece como o D. Quixote do boteco global, falando um português nauseante, prometendo paz universal, mas terminando sempre com o garçom trazendo a conta para o Brasil pagar: “Monsieur, cartão ou carnê das Casas Bahia?”.
Enquanto isso, o presidente se acha íntimo de todos os tiranos do planeta. Se existisse um clube de ditadores aposentados, Lula estaria na porta, distribuindo abraços e selfies. É como se tentasse fazer uma reedição de um Baile dos Encalhados, só que em vez de solteirões, temos generais carrancudos, aiatolás mal-humorados e uns sujeitos de terno mal cortado que juram ser estadistas. Lula entra, abre os braços e diz: “Companheiros do mundo, uni-vos contra o imperialismo!”, enquanto os imperialistas continuam vendendo caças Gripen para nós, com recibo e tudo.
Outro dia, assisti à cena mais edificante da diplomacia brasileira: Lula no palanque com Maduro, dizendo que a Venezuela é vítima de preconceito. Fiquei esperando que surgisse, ao fundo, Os Trapalhões, com Didi chorando, Dedé segurando a gravata, Mussum pedindo “uma biritis, cumpadi!”. Só faltava Zacarias para completar o drama tropical. Mas não: era só Lula mesmo, defendendo a democracia de Maduro como quem defende que o leite condensado é prato principal em banquete internacional.
E a coisa não para por aí. Lula insiste em ser o árbitro universal, o juiz de paz da humanidade. Ele acha que pode juntar Putin e Zelensky numa mesa como se fosse festa junina de escola: um leva quentão, o outro traz milho verde e, pronto, resolvemos a guerra. O detalhe é que, no meio da festa, o Putin sempre chega com tanque, e Zelensky com drone. O resultado? O milho queima, o quentão explode, e Lula ainda tenta fazer discurso romanticamente demagógico: “Companheiros, vamos resolver isso com amor e diplomacia”.
Mas a cereja do bolo é quando o governo se mete em organismos que ninguém lembra: BRICS, UNASUL, G-20 e até o G-7 (na condição de penetra simpático). O Brasil é aquele convidado que chega na festa levando refrigerante Dolly, mas quer sentar na mesa do uísque 18 anos. A cara de todos os outros é sempre a mesma: “Quem chamou esse sujeito mesmo?”.

Imagem criado com auxílio de IA
E, no fundo, o problema é simples: Lula ainda acha que política externa é churrasco de sindicato. Junta gente, abre cerveja, solta discurso e, no fim, passa o chapéu. Só que agora o churrasco é global, e quem paga a picanha é o Brasil – nós, otários, que bancamos essa comédia de erros mais longa da história.
Resumindo: sua carta escrachada está ótima. O Itamaraty de Lula já virou um romance de humor universal: mistura Cervantes, Molière, Os Trapalhões e, para completar, Os Três Patetas. E o Brasil, como sempre, é o pateta principal.
Abraços internacionais (sem visto de entrada).
Astério de Natuba