Tebetada econômica e contábil

por Sérgio Trindade foi publicado em 27.mar.25

 

A Ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet inventou uma nova modalidade de ajuste fiscal, o Ajuste Fiscal Futuro (AFT).

Pela criação, um portento da engenharia econômica e contábil, deveria ser agraciada com o prêmio IgNobel, paródia do Nobel concedido todos os anos pela revista humorística Annals of Improbable Research.

Segundo a Ministra, depois de 2026 será necessário fazer um ajuste fiscal sério. Ou seja, o que ela e Fernando Haddad fizeram até agora não é sério e, se assim for, ambos não devem ser levados a sério. Disse a Ministra: “A gente tem, sim, para encerrar, um dever de casa. E, aí, fala aqui alguém que é mais liberal na economia. Nós precisamos fazer ajustes fiscais mais robustos no futuro, sem tirar direito de ninguém. Quando falam ‘ajuste fiscal vai tirar direito do trabalhador’, não precisa tirar um direito. Porque tem tanta gordura para fazer.(…) Agora, lembrando, [para fazer] isso nós dependemos de parceria do Congresso Nacional, porque, quando apresentamos as medidas, o Congresso tem que estar com vontade de votar. Nós estamos perto de um processo eleitoral, aí fica mais difícil. Acho que a janela, repito, acho que a janela para as grandes mudanças estruturais no ajuste, elas acabarão ficando para pós-eleição de 26″.

O curioso é que o ano de implementação do AFT coincidirá, surpresa!, com o pós-eleição. Até lá, de acordo com a régua de Tebet, o governo Lula da Silva poderá gastar livremente.

É uma tebetada econômica daquelas!

Há uma passagem em Nosso amigo Castriciano, de Câmara Cascudo, cômica. Trágica para o caso do Brasil.

Segundo Cascudo, Henrique Castriciano, em uma de suas viagens à Europa, trouxera os dez tomos de Souvenirs Entomologiques, de Jean-Henri Fabre, e contava entusiasmado sobre o instinto do escaravelho.

Dizia o poeta que o besouro construía a sua toca, cuja abertura coincidia “matematicamente com as dimensões da esfera escrementícia que ele conduzirá para alimentar-se”.

Exclamava HC: “Maravilhoso! Nenhuma possibilidade de déficit. Receita orçada nos limites da despesa prevista. Milagre de cálculo!… Esse rola-bosta envergonha qualquer Ministro da Fazenda”.

Só uma há uma explicação para um país como Brasil levar Simone Tebet a sério: não ser um país sério.

A Ministra Tebet e o Ministro Haddad não valem, fiemo-nos nas palavras de Henrique Castriciano de Souza, um rola-bosta.

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