Mudando o azimute

por Sérgio Trindade foi publicado em 01.jun.22

Eu já fui de esquerda. Quando era jovem. De meados da década de 1980 até a primeira da primeira década deste século.

Fui abandonando as crenças esquerdistas quando, ainda em 2005, percebi que a superioridade moral não está vinculada à configuração ideológica.

Mesmo depois do estalo, continuei votando nos partidos de esquerda até 2010, quando desisti de vez e mudei o azimute, migrando para o centro.

O meu desalento cresceu antes disso, quando constatei a atuação de patrulhas ideológicas e as tentativas de isolamento e as perseguições de que são alvos muitos daqueles que se posicionam claramente contra algumas bandeiras da tchurma.

Nos espaços que frequentava, notadamente os de trabalho, era comum demais a formação de turminhas encarregadas de atuar em grupo contra qualquer um que se aventurasse a dizer qualquer coisa que fugisse da lógica deturpada delas.

O meu afastamento de posições esquerdistas me levou a notar que a esmagadora maioria das bandeiras sociais que a esquerda carrega não nasceram e nunca foram de esquerda, que apenas se apropriou de muitas delas. Daí vislumbrei que o melhor caminho a trilhar não é da dicotômica geografia política. O caminho certo é o do humanismo, que pode abarcar pessoas que estão nos mais diversos espectros ideológicos.

***

O Brasil é mesmo um país sui-generis!

Talvez o primeiro do mundo em que um golpe de Estado foi dado às claras, transmitido por televisão, com a chefe de Estado e de Governo golpeada tendo direito à defesa junto a uma comissão de um dos poderes da República, feita por advogado pago pelo Estado que a golpeava, num rito estabelecido por um dos poderes da República. Era a história em movimento, com Césares ultrapassando o Rubicão, diria Arnold Toynbee.

Passados seis anos do processo que levou ao impedimento da presidente da república Dilma Rousseff, o atual candidato presidencial  do partido da ex-presidente e seu padrinho político e líder nas pesquisas de opinião, busca apoios junto a lideranças que golpearam a presidente Dilma. E o seu companheiro de chapa foi um valoroso general do golpe.

Vacinem-se contra o besteirol. Informem-se. Não sejam seguidores.

 

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