O homem que vendia o nada a todos
Pierre Albomannior Judinoèu Aubameyang, nascido na África e criado no subúrbio do Rio de Janeiro, era primo distante da mãe do craque gabonês Pierre-Emerick Aubameyang e fazia uso disso para entrar e sair de qualquer lugar. Era um homem que sabia fazer marketing. Ou, pelo menos, sabia fazer com que as pessoas acreditassem que ele fazia algo. Era um mestre da arte de parecer ocupado, enquanto, na realidade, estava sempre à procura de um ângulo para se promover.
Tudo começou quando Albomannior se tornou funcionário público federal e num lugar no qual a produtividade não era exatamente o principal critério de avaliação. Ele logo percebeu que, ali, o que importava era a aparência, nunca a substância. E Albomannior era um artista em criar aparências.
Seu grande golpe, no entanto, foi quando se associou a César Marcos, um amigo de infância, para abrir uma empresa. Albomannior, com sua lábia e sua esperteza, convenceu César a investir tudo o que tinha, enquanto ele, Albomannior, cuidava da parte administrativa e da divulgação. O que ele não disse foi que a “parte administrativa e a divulgação” incluía desviar dinheiro para sua conta pessoal.
A empresa faliu, é claro, e César Marcos ficou sem nada. Albomannior, por outro lado, estava rico e pronto para a próxima aventura. E a próxima aventura foi sua carreira no serviço público, fazendo o nada e se promovendo. Fez cursos que não existiam e palestras para mentes vazias. Viajou – e muito. Com tudo bancado pela viúva.
Vinte anos se passaram, e Albomannior era agora um nome conhecido no governo. Ele fazia discursos sobre a importância da ética e da transparência, enquanto, nos bastidores, fazia cursos que nunca frequentou e propagandeava suas “conquistas” para quem quisesse ouvir.
Seu escritório era um museu de suas “realizações”, com fotos dele ao lado de políticos importantes e prêmios que ele mesmo se deu ou que amigos a ele deram. Seus colegas, muitos dos quais sabiam da verdade, o viam como um exemplo de como subir na vida sem fazer nada.
A fama de Albomannior nunca desmoronou porque não se derruba o que nunca efetivamente subiu. Um dia, um jornalista curioso começou a investigar suas “conquistas” e descobriu que os cursos que ele dizia ter feito nunca existiram. As empresas que ele afirmava ter fundado nunca foram registradas e uma, apenas uma, que de fato existiu, ele roubou de César Marcos, funcionário público federal como ele.
A notícia se espalhou como fogo, e logo Albomannior era alvo de piadas. Todas cochichadas. César Marcos, que havia seguido em frente com sua vida, leu a notícia e não pôde deixar de rir. “Eu sabia”, disse ele para si mesmo. “Eu sabia que ele era um pilantra. Eu disse a todos. Poucos quiseram ouvir.”
Albomannior, no entanto, não se abalou. Ele sabia que, no mundo no qual circulava, a percepção é tudo. E ele ainda tinha uma boa percepção de si mesmo.
Ele começou a escrever um livro, Como ser um sucesso sem fazer nada, e logo estava dando palestras sobre o assunto. A plateia ria e aplaudia, sabendo que estava diante de um mestre da ilusão, uma pessoa que apresentava o nada como tudo.
E Albomannior, sorrindo, sabia que, enquanto houvesse gente disposta a acreditar, ele estaria no topo do mundo. Ele sabia que era uma farsa e que tudo o que fazia também era uma farsa. E, talvez, isso fosse o mais triste de tudo.
O livro de Albomannior se tornou um best-seller, e ele foi convidado para dar palestras em todo o estado e chegou a circular pelo país. Ficou rico, famoso e, mais importante, acreditava em si mesmo. E, no final, isso era tudo o que importava.

Imagem feita com auxílio de IA
Pierre Albomannior Judinoèu Aubameyang, o homem que fez da aparência a sua realidade, continuou a viver sua vida como um sonho, enquanto o mundo ao seu redor ria e aplaudia.
Talvez um dia, quem sabe, ele seja lembrado como um grande homem. Afinal, no serviço público, a verdade é o que você diz que é. Se os números negarem, que se fodam!