Não é de lá

por Sérgio Trindade foi publicado em 17.out.21

Quase não os uso, mas guardo com carinho e veneração diversos chapéus Panamá, que, apesar do nome, não são fabricados no país-istmo centro-americano e devem sua fama a um personagem grandioso e polêmico da história recente.

Fabricados no Equador, onde é conhecido como El Fino, com a palha da planta carludovica palmata, o chapéu-Panamá tem cor claro e alguns formatos. Cuenca e Montecristi são os principais centros produtores e de lá saem em grandes quantidades para os mais variados destinos.

A trama é tecida por artesãos especialistas com material de alta qualidade e o prestígio do produto está associado à fabricação cuidadosa e meticulosa e ao rigoroso controle. Conhecedores do assunto afirmam que a confecção das peças mais finas pode demorar até dois meses (https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/turismo/internacional/america/equador-veja-como-e-feito-o-famoso-chapeu-do-panama,0c613fbc4d1c1410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html).

Desde a primeira metade do século o chapéu recebe o nome pelo qual é conhecido, mas a sua fama está associada ao um ato fortuito.

No início do século XX, o chapéu começou a ser exportado para a Cidade do Panamá porque, com a construção do Canal do Panamá (1904-1914), muitos trabalhadores e engenheiros procuravam o produto. Porém, quando em 1906 o presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt, visitando o canal, utilizou-o para se proteger do sol escaldante, a febre de consumo, que era localizada na região, difundiu-se pelo mundo. Fotos do mandatário norte-americano estamparam as primeiras páginas de diversos jornais em todos os cantos os continentes e tornou o produto um objeto de consumo extremamente disputado, com o natural aumento do preço (https://www.abraceomundo.com/chapeu-panama-o-famoso-sombrero-de-origem-equatoriana/).

O brasileiro Alberto Santos Dumont, também em 1906, foi outra personalidade a associar sua imagem ao já famoso chapéu.

Daí em diante, um enxame de personalidades de todas as partes do mundo – Franklin Roosevelt, Getúlio Vargas, Tom Jobim e outros – também se cobriram com o chapéu Panamá.

 

 

Todos deram, com o seu gesto, um discreto mas irresistível apelo publicitário a favor do chapéu fabricado no Equador e batizado com nome de país da América Central.

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