Lula obsequiado

por Sérgio Trindade foi publicado em 30.mar.25

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é, certamente, uma das figuras mais populares, emblemáticas e polarizadoras da história recente do Brasil; tem uma trajetória de conquistas sociais históricas, como programas de redução da pobreza, alguns herdados do seu antecessor e ajustados, caso do Bolsa Família, e valorização do salário-mínimo, mas também marcada por acusações de corrupção e relações controversas com empresários.

Sobre os favores de empresários, há eventos e fatos amplamente conhecidos, muito embora ferrenha e fortemente refutados por ele e seus aliados.

Durante a Operação Lava Jato, Lula foi acusado de receber um apartamento triplex no Guarujá, em São Paulo, como propina da empreiteira OAS, em troca de favorecimentos em contratos com a Petrobras. Em 2017, ele foi condenado pelo juiz Sergio Moro, mas, em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações, alegando que a Justiça Federal do Paraná não tinha competência para julgar o caso.

Outra acusação envolveu reformas em um sítio em Atibaia, também em São Paulo, supostamente custeadas por empresas em troca de influência política. As provas foram consideradas frágeis pelo STF, e o caso também foi anulado.

Lula sempre defendeu que seu governo dialogou com o setor privado para promover políticas de desenvolvimento, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Críticos apontam que esse diálogo, entretanto, teria cruzado a linha da legalidade em casos como o mensalão (esquema de pagamento a parlamentares para aprovar projetos), que envolveu aliados de Lula, embora ele nunca tenha sido diretamente condenado por isso.

Usar jatos particulares de empresas como a Odebrecht para viagens pessoais após sua presidência faz parte do cardápio de obséquios recebidos por Lula. Os seus aliados alegam que os empréstimos nunca geraram contrapartida.

Quando discuto com amigos petistas acerca dos casos acima, não é incomum apontarem as falhas de Jair Bolsonaro. Como nada tenho a dizer a favor de Bolsonaro e não ouço um vírgula em defesa de Lula sem citar o seu atual maior adversário, intuo que nada têm a dizer sobre o bom comportamento de Lula.

Voltemos a Lula.

Duas décadas antes dos eventos de, digamos, desvios morais que engolfaram Lula e seus correligionários, outrora baluartes no combate à corrupção, mais precisamente em dezembro de 1989, pouco depois do segundo turno da eleição presidencial, quando Fernando Collor de Mello sagrou-se vitorioso justamente batendo Lula, o então deputado federal Ulisses Guimarães almoçava num restaurante em Brasília, quando entrou a cantora Fafá de Belém, amiga de Lula.

O parlamentar do PMDB, perguntou: “Como vai Lula?”.

A cantora respondeu que estivera o domingo seguinte à derrota com a família do candidato do PT: “Lula ficou muito chateado, mas começamos a beber e a comer, os meninos foram para a piscina e ele acabou relaxando”.

Ulisses quis saber: “Tem piscina na casa de Lula?”.

Fafá explicou: “Tem, mas a casa é de um compadre dele, o advogado Roberto Teixeira”.

Quando estava só com os amigos, Ulisses pontuou: “O mal de Lula é que ele parece gostar de viver de obséquios”.

A mania vem de longa data.

 

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