A Casa Caiu ou a Ficha?
No salão da República
Tem fumaça e confusão,
Quando o poder se mistura
Com moeda e ambição,
Muita máscara despenca
No clarão da exposição.
Sai manchete em todo canto,
Corre forte o noticiário,
Banco, lobby e influência
Num enredo temerário,
E o povo vendo de longe
Esse teatro milionário.
Diz um deputado em fala:
– “Agora a casa caiu!”
Mas tem gente perguntando
Se a verdade enfim se abriu,
Ou se apenas certa ficha
Muito tarde então caiu.
Quando a imprensa documenta
O que antes era negado,
Muita pose de pureza
Vai perdendo seu dourado,
Pois discurso sem coerência
Fica logo desmascarado.
Quem gritava contra acordos,
Contra a velha negociação,
Hoje surge em reportagem
No balcão da transação,
Abraçado com banqueiro
No compasso da ocasião.
O Centrão muda de roupa,
Mas mantém o mesmo passo,
Vive perto de quem pode
Garantir espaço e laço,
E na dança do poder
Sempre escapa do cansaço.
Já o povo brasileiro,
Que trabalha e paga imposto,
Vê milhões virando assunto
Sem sequer mudar o rosto
De quem fala em patriotismo
Com privilégio no posto.
Quando o escândalo explode
Tem discurso preparado,
Uns alegam perseguição,
Outros juram ter sido armado,
Mas documento e registro
Pesam mais que palavreado.
A pergunta deste cordel
Não pretende só acusar,
Mas convida muita gente
Pra parar e observar:
A casa caiu de fato
Ou a ficha foi baixar?
Pois há quem veja a política
Como torcida e paixão,
Defendendo qualquer ato
Sem medir contradição,
Mesmo quando os próprios fatos
Ferem sua convicção.
Democracia exige
Memória, senso e coragem,
Pra enxergar nos bastidores
O valor da reportagem,
Sem transformar líder algum
Em santo de blindagem.
Se a justiça for correta
E cumprir sua missão,
Que investigue sem partido,
Sem vingança ou proteção,
Porque o peso da verdade
Vale mais que eleição.
E no fim desta peleja,
Fica ao povo a decisão:
Se desperta dessa névoa
De fanática ilusão,
Ou continua aplaudindo
Quem negocia a nação.

Imagem feita com auxílio de IA
Guardião do Farol