Só em 2030
O Brasil passou boa parte do jogo contemplando a Noruega trocar passes na defesa, sem lhe causar o menor incômodo, como se pudesse decidir a partida quando bem entendesse. Também colecionou erros no último passe, justamente aquele que leva a bola ao encontro do gol. E desperdiçou oportunidades que, em mata-mata de Copa do Mundo, costumam cobrar um preço impiedoso.
Vinícius Júnior perdeu uma delas no primeiro tempo. Endrick, outra, na primeira bola que tocou na etapa final. E já que falamos em erros e oportunidades perdidas, é preciso voltar ao instante em que nasceu a maior delas.
Ainda antes de o primeiro tempo completar um terço, o Brasil ganhou um pênalti oferecido pela Noruega, daqueles que os comentaristas de mesa de bar chamam, com razão, de “pênalti bobo”. Em uma partida de oitavas de final, na qual o derrotado arruma as malas e volta para casa, quem deve assumir a cobrança? As respostas são poucas, e uma delas quase sempre aponta para o maior jogador da equipe.
Em 1986, Zico, um craque genial, entrou em campo sem estar na plenitude física, viu a marca da cal e caminhou até ela. Cobrou. Errou. Mas não se escondeu da responsabilidade. Oito anos depois, Romário, que nunca fizera, até ali, do pênalti a sua especialidade, ofereceu-se para integrar a lista dos cinco cobradores na decisão contra a Itália.
Imaginei — e creio que a imensa maioria dos brasileiros também — que Vinícius Júnior, hoje o principal jogador da Seleção, chamaria para si a responsabilidade. Se Neymar estivesse em campo, faria o mesmo, como fez ao final do jogo. Mas havia uma ordem: Bruno Guimarães seria o cobrador diante da seleção viking. Bateu mal. Perdeu.
Desde 1986, quando Zico desperdiçou sua cobrança, o Brasil não errava um pênalti durante uma partida de Copa do Mundo. Errou agora. E pagou a conta com a eliminação.
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Imagem feita com auxílio de IA
Haaland, um monstro que lutou praticamente sozinho contra toda a defesa brasileira, escreveu a sentença da partida. Dois gols. Vitória por 2 a 1. Neymar, de penalidade máxima, descontou para o Brasil.
Justa. Justíssima a eliminação brasileira.
Resta esperar por 2030.